Embedded finance: insights do ERP Summit e o futuro dos ERPs

O embedded finance é a tecnologia que faltava para potencializar o poder dos ERPs de gerar receita para as empresas e não apenas servirem como um repositório de informações. Mais do que sistemas de gestão, essas plataformas passam a integrar serviços financeiros diretamente na operação dos negócios, o que aumenta o valor entregue aos clientes.
E as expectativas para a inovação que as finanças integradas proporcionam são expressivas e crescentes. Segundo a The Business Research Company, o mercado global deve crescer de US$ 94,42 bilhões em 2025 para US$ 115,03 bilhões em 2026, com CAGR (taxa de crescimento anual composta) de 21,8%.
Por isso, esse tema não poderia ficar de fora do ERP Summit 2026, que recebeu mais de 120 palestrantes em São Paulo, nos dias 17 e 18 de março. Entre os nomes renomados do maior evento sobre software e gestão estava Felipe Brandão, Head Comercial da Zoop, com um painel sobre a geração de novas fontes de receitas com uso inteligente dos sistemas de gestão.
Leia até o final e veja um resumo sobre os pagamentos integrados em ERP e como adaptar a plataforma da sua empresa de maneira simplificada e escalável.
Como o embedded finance cria novas linhas de receita para ERPs?
O processo é simples: a tecnologia gera novas fontes de receitas ao permitir que os ERPs monetizem pagamentos, crédito e serviços financeiros dentro do próprio sistema, de forma integrada, segura e escalável. Ou seja, além de acompanhar toda a operação, o software também participa financeiramente das transações.
Essa mudança acontece pela convergência entre software e serviços, como pagamentos integrados, conta digital, banking as a service e oferta de crédito. Entenda melhor sobre cada um deles.
Pagamentos integrados em ERP
Ao incorporar pagamentos integrados, o sistema passa a gerar receita a partir de um take rate (porcentagem da receita bruta) sobre o volume transacionado (TPV).
Além disso, o ERP ganha controle sobre toda a jornada de pagamento, reduz a dependência de intermediários e aumenta sua participação no fluxo financeiro dos clientes.
Conta digital e Banking as a Service
Com contas digitais e cartões white label (personalizáveis com a marca da empresa), o ERP passa a gerar receita por meio de interchange, ao mesmo tempo em que fortalece o relacionamento com o cliente.
Essa estratégia de Banking as a Service amplia o portfólio financeiro da plataforma e aumenta a recorrência de uso dentro do próprio sistema.
Crédito baseado em dados do ERP
Ao utilizar dados operacionais, o ERP consegue oferecer embedded credit (crédito embutido) com mais precisão, o que viabiliza a antecipação de recebíveis e o capital de giro.
Como essas ofertas são baseadas no comportamento real do cliente, o risco diminui e a taxa de conversão tende a ser maior.
Serviços financeiros adicionais
Além dos serviços principais, o ERP pode expandir sua atuação com ofertas específicas, como benefícios corporativos e seguros, o que gera receita por meio de taxas por usuário.
Sem falar que amplia o valor percebido da plataforma e cria novas oportunidades de monetização recorrente. O resultado é um modelo mais completo e escalável.
Leia também: Embedded finance para ERP: como criar novas linhas de receita para o seu negócio
O que o ERP Summit revelou sobre o futuro dos ERPs?
Na palestra “Do software ao ecossistema: como ERPs estão criando novas linhas de receita”, Felipe Brandão, Head Comercial da Zoop, trouxe uma provocação direta ao mercado: os ERPs sempre foram o cérebro das empresas, mas agora têm a oportunidade de se tornar também o motor financeiro delas.
Segundo ele, o ponto de virada está na convergência entre dados e dinheiro.
Hoje, os ERPs já concentram informações críticas sobre a operação, como vendas, fluxo de caixa, estoque e recebíveis. No entanto, ainda deixam escapar a monetização das transações, que acontecem fora do sistema. É justamente nesse gap que surge a maior oportunidade.
Outro destaque do evento foi a discussão sobre os pagamentos no centro da experiência. A lógica é simples: quem controla o fluxo financeiro passa a ter mais relevância na jornada do cliente.
Esse movimento também reflete o crescimento do mercado brasileiro de ERPs, que já é o 5º maior do mundo, com projeção de atingir R$ 12,6 bilhões até 2027 e crescimento anual de 12,2%.
No fim, a principal mensagem do Felipe Brandão no ERP Summit foi: o futuro dos ERPs não está apenas na gestão, mas na capacidade de integrar software, serviços financeiros e experiência em um único ecossistema.
A principal mudança é estratégica, isto é, atuar diretamente na monetização das transações e na oferta de serviços financeiros integrados.
Quais são as oportunidades dos pagamentos integrados em ERPs?
As oportunidades estão na captura de receita sobre as transações, no controle da jornada financeira e na transformação de dados operacionais em vantagem competitiva, inovação e crescimento. Afinal, ao integrar pagamentos, o ERP não só registra as informações como também monetiza diretamente o fluxo de compra dos clientes.
Hoje, existe um desalinhamento evidente nesse aspecto. Isso porque os ERPs têm visibilidade completa da operação, pois acompanham vendas, estoque, fluxo de caixa e recebíveis. Porém, os pagamentos e a liquidação ainda acontecem fora do sistema. Assim, uma parte relevante do valor gerado não é capturada.
E o impacto dessa lacuna é a perda de monetização transacional.
Na prática, o potencial é significativo. Um exemplo que Felipe Brandão deu em sua palestra foi um ERP com 3 mil clientes, com faturamento médio de R$ 80 mil por mês, que movimenta cerca de R$ 240 milhões mensais. E com uma taxa de apenas 0,5% sobre esse volume, seria possível gerar R$ 1,2 milhão por mês em receita adicional.
Mais do que um ganho financeiro, essa integração muda o posicionamento do ERP e, consequentemente, da sua empresa e de sua escalabilidade para fazer caixa.
Quando os dados e a execução financeira se encontram, o sistema atua como um verdadeiro hub financeiro. Dessa forma, abre espaço para novas soluções, aumenta o valor entregue ao cliente e fortalece a relevância do ERP no ecossistema digital.
No fim, a lógica é simples: os dados sem execução são apenas relatórios. Já a execução financeira com base nessas informações se torna uma vantagem competitiva difícil de replicar.
Como o ERP vira um assistente financeiro inteligente?
Pagamentos integrados em ERP transformam o sistema em um assistente financeiro inteligente ao automatizar cobranças, centralizar a gestão e executar transações em tempo real. Assim, o ERP deixa de apenas registrar dados e passa a atuar de forma ativa na operação financeira das empresas.
Logo, começar por pagamentos é uma decisão estratégica, pois já fazem parte da rotina. Por isso, não exigem mudança de comportamento e resolvem dores imediatas, como conciliação manual e falta de controle financeiro.
Ou seja, o ganho é rápido. Assim que ativados, os pagamentos aumentam a eficiência operacional e abrem novas fontes de receita para o ERP.
E com o apoio da inteligência artificial (IA), esse processo evolui ainda mais.
O sistema passa a prever fluxos de caixa, identificar padrões de inadimplência e automatizar decisões financeiras com base no comportamento dos clientes e nas necessidades da própria empresa, como saber a hora de trocar de fornecedor ou segurar uma compra devido ao fluxo de caixa instável.
Na prática, algumas funcionalidades aceleram essa evolução, como:
- Pix integrado, que melhora o fluxo de caixa;
- Tap to Pay, que simplifica a aceitação de pagamentos;
- Link de pagamento, que facilita as cobranças;
- Conciliação automática, que reduz erros e retrabalho.
Dessa forma, o ERP evolui naturalmente para um assistente financeiro inteligente, capaz de executar, organizar e otimizar toda a jornada de pagamentos dentro da própria plataforma.
Como os dados do ERP permitem oferecer crédito inteligente?
O crédito inteligente acontece porque os dados refletem a operação real das empresas, com informações sobre vendas, fluxo de caixa, estoque e sazonalidade. Assim, possibilita análises precisas e decisões de crédito mais rápidas e alinhadas à capacidade financeira do cliente. Afinal, o ERP já conhece profundamente o comportamento do usuário.
Com esse nível de informação, é possível criar um score proprietário, identificar riscos com mais precisão e personalizar ofertas financeiras. Sem falar que ainda viabiliza soluções como antecipação de recebíveis no curto prazo e linhas de capital de giro ou parcelamento no médio prazo.
O resultado é um crédito mais acessível, contextual e eficiente.
Assim, o ERP deixa de apenas registrar dados e passa a usá-los como base para gerar valor financeiro dentro do próprio ecossistema.
Saiba mais: IA generativa no Embedded Finance: como utilizar?
Como os ERPs evoluem de software para hub financeiro das empresas?
Ao integrar dados e execução dentro da mesma plataforma, impulsionados pelo avanço do embedded finance. É dessa forma que esse modelo permite oferecer pagamentos, crédito e serviços financeiros, o que aumenta o valor do software, reduz o churn e posiciona o ERP como peça central na operação das empresas.
Portanto, é visível que esse movimento transforma completamente o papel do ERP. Antes focado em gestão, agora pode capturar o valor em cada transação registrada. Afinal, toda venda gera um fluxo financeiro e, com o embedded finance, cada fluxo pode ser monetizado.
Na prática, significa atuar como o “banco” das PMEs.
Um ERP de restaurantes, por exemplo, pode integrar pagamentos, fornecedores, crédito para insumos, folha, benefícios e seguros em um único ambiente.
O resultado é o aumento de LTV, mais recorrência e novas possibilidades de gerar receitas.
Porém, um ponto crucial para capturar todo esse potencial do embedded finance é que não basta ter dados, é preciso transformar essa inteligência em execução financeira, exatamente como funciona a plataforma da Zoop.
Fale com um especialista da Zoop e descubra como transformar seu ERP em um verdadeiro hub financeiro de forma simplificada, segura e confiável.
Este artigo foi escrito por Jayme Canhada, Head Comercial da Zoop.
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